domingo, 25 de novembro de 2012

Sobre música e sincronismos

A cinco anos atras uma popular cantora brasileira lançava, após um longo período sem gravar, um disco que na verdade eram dois, totalmente inéditos e com os quais, na época, me identifiquei bastante. Estes discos traziam musicas que falavam de liberdade, do novo, de assuntos que andavam "na moda" na minha vida, naquele tempo. 
Tanto me encantaram que uma dessas musicas acabou virando o título do blog e continua falando sobre mim, e por coincidência também marcaram o inicio de um relacionamento que começava. A leveza daquelas músicas era também a leveza daquele momento da vida.

Hoje, cinco anos depois, essa mesma cantora, volta a lançar um disco inédito. E novamente parece acertar o tom da sua música com o da minha vida. 
Já na primeira audição senti os olhos cheios d'água com uma letra que, mais uma vez, trazia o enredo do meu momento descrito, e ainda é difícil descrever o sentimento que essa musica me causa, um misto de desespero e resignação, cortando o coração e gritando o vazio onde ecoa o fim.

Dessa vez não um sentimento florindo, não a alegria de um começo, mas o vazio resignado de um fim. A história de uma história que se encerra como tantas outras, com bons momentos que se tornam lembranças que ficarão esquecidos em algum canto da memória, e com a parte mais triste de todo amor, o momento em que se percebe que ele acabou. 

Aquele exato momento depois do luto, da negação, das juras de nunca mais conseguir viver sem você, depois da bebedeira e das tentativas histéricas de se prender àquele fio de existência. Aquele momento de um vazio absoluto onde raiva, carência e desespero se misturam e formam um bálsamo analgésico chamado resignação.
Essa resignação que aparece naquele dia em que se acorda de ressaca pra descobrir que a vida anda toda sorrisos e sábados de sol, que as lágrimas não te cabem mais e o vazio anda preenchido de você e da sua absoluta paz em ser sozinho.  

No dia que se percebe que aquele amor se foi, de mala e cuia, e agora existe um espaço imenso de nada. Aquele dia em que a solidão não dói, a saudade não aperta o peito e não há mais nada pelo que esperar. Aquele momento que só chega depois do amor devidamente sepultado, lamentado, sofrido em todos os seus ângulos agudos e dores obtusas. 

Todo sentimento de um fim nos versos de uma canção. 


Obs: não por coincidência a cantora é a Marisa Monte, com seu infinito particular, que lançou no inicio desse ano o "O que você quer saber de verdade?", cuja música que dá nome ao disco, é claro, já vem invadindo o espaço deixado pelo meu "Depois".

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