"E o hábito de sofrer, que tanto me diverte
é doce herança itabirana"
[Carlos Drummond de Andrade]
Fui à Itabira este fim de semana. A princípio pra assistir à amigos queridos tocando, mas como a vida tem formas fantásticas de nos presentear, decobri que fui lá também para encontrar muitas coisas mais que uma bela cidade e boas pessoas. Mas estes presentes, guardo-os pra mim, posto que este espaço não os comporta e alguns nem podem ser descritos por palavras conhecidas em qualquer idioma.
Quanto à cidade, o que mais me chamou a atenção foi a harmonia com que casarões históricos e prédios modernos convivem pelas ruas do centro histórico, e a tranquila urbanização de outros cantos da cidade, que dão um ar de pequena metrópole ao lugar. Mas o que me seduziu mesmo foi o charme interiorano daquela beleza antiga de dar gosto.
Ainda, pra quem gosta da poesia de Drummond, a cidade se transforma num livro, por onde se pode caminhar, sentindo palavra e imagem. Isto porque, por diversos lugares existem placas com as poesias, especialmente as que fazem referência aos lugares cantados por Drummond em seus versos.
Pena que não tive muito tempo pra conhecer mais coisas da cidade, já que foi uma viagem rápida, com direito a ficar hospedada uma noite em um hotel charmosissímo que já foi casa de Barão. Mas valeu a pena... ah como valeu! Valeu pelas risadas, pelo show, pela companhia, pelos cigarros e pelo macarrão... valeu até pela indiferença à mim dispensada e por todas as lágrimas de raiva que chorei por isso.
Foi um desses momentos bons que fazem a gente deslizar pela vida, em que meu coração estava inteiro, exatamente aonde queria estar.
Batendo feliz no meu peito, vivendo o presente, irrigando um sorriso novo que nem dor pode apagar.