domingo, 15 de janeiro de 2012

Divagações em uma tarde chuvosa

Parada a beira da falésia
abaixo de mim apenas o abismo e as ondas do mar
acima de minha cabeça apenas o ceu nebuloso e uma chuva torrencial
em vestes negras, externando meu luto
não sinto nada
apenas o impulso vigoroso de me jogar neste abismo
imagino o sabor das ondas
o delizar do vento
na queda vou me despedindo de tudo que abro mao, tudo que deixo para tras
abandono a mim e aos meus pelo prazer desta descida
quero mergulhar no mar negro e revolto sob meus pés
meu peito grita e sufoca como se somente o ar desta queda me pudesse fazer voltar a respirar
penso que caso esse abismo que me atrai não seja fundo o suficiente para comportar um mergulho
que acabarei mais uma vez despedaçada nos rochedos
e apenas o meu sangue se misturará àquelas aguas, sem me trazer qualquer satisfaçao
pois nao terei me entregado inteira à profundeza dessas aguas.
Mas nao sinto medo
A pespectiva do fracasso nao me assusta
So me importa que eu possa me atirar pra dentro desse mar infinito e sombrio
expressão da minha propria loucura, dos sentimentos que carrego em mim
so me importa que eu me apaixone
por essa força da natureza que me atrai desesperadoramente
e, impiedosa,
nao me deixa recuar mesmo sabendo que a queda será provavelmente o meu fim.
Só me resta viver essa paixao louca, esse desvario
deixar que o rastro de destruiçao se extenda
e aceitar tudo o que esta queda vem findar.

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